quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Essa parte, por assim dizer.
http://www.youtube.com/watch?v=zhcR1ZS2hVo&feature=related
domingo, 9 de agosto de 2009
Traição
E ia o meu dócil animal, aparentemente feliz, bravio, até que se curva para trás afundando sem parar e lentamente naquela areia fria.
Traí-o; levantei-me dele, voltei-me para trás e dei o salto mais largo que podia... foi inútil. Agora meu animal já tinha afundado completamente e restava só a mim, aliás, apenas meio de mim naquela imensidão branca em meio àquela tempestade gelada de areia.
Ahhhh, mas onde estaria agora sua beleza? Onde estaria agora todo seu sentimento por mim? Sumira? Estendi-lhe o braço pedindo ajuda e ela tampou os lábios com uma das mãos. A lua se progetava atrás dela gigantemente e, com muita ironia, formava uma espécie de esplendor. Cerrei meus lábios ressecados. Onde estaria agora toda a minha força, astúcia e inteligência? Como tivera sido tão tolo? E quanto mais eu me movia, mais afundava...
Pus-me inerte. Deixei que a natureza tomasse o seu curso e pude ver ela me olhar inexpressiva enquanto eu dizia lamúrias com os olhos.
Por fim, afundei. "A ele, meu senhor, que tivera sido tão sutil quanto a víbora que sobe sutilmente a vítima só para mordê-la no pescoço" ela disse e tomou rumo de sua jornada, agora apenas ela e seu próprio cavalo.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Em uma partida de xadrez...
- Você joga da mesma forma que eu.
Fez uma expressão tão discreta de dúvida unida a felicidade e medo que se encerrou em dois segundo, mais ou menos, enquanto que eu não tirei os meus olhos dos seus. Estávamos bem ali, aparentemente.
Sacrifiquei uma peça minha, a única torre que me restava, para que tudo no jogo corresse bem e ele recuou. Compreendi a sua tática: estava tentando atrair meu rei para onde ele pudesse tê-lo sem risco. Posicionei minhas peças em defesa de sua tática e avancei o rei. Pouco a pouco, nossas peças iam sumindo do tabuleiro até restarem somente dama e rei. De fora do tabuleiro, os bispos nos condenavam, os peões, coitados, ofendiam-se com tudo em nós dois, mas o que um peão acha que é perante nós dois, rei e rainha?
E assim se deu o jogo: cheques e cheques sem nunca ter tido um fim ou um ápice. Cada vez que eu o intimava, logo ele tratou de se esquivar ileso enquanto as outras peças mal podiam ter percebido isso.
Suponho que tenhamos que declarar empate, apertar-mo-nos as mãos e ir cada um para um adversário novo.
Amém.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
O ato de enjoar.
Nenhum de nós foge à regra, meus caros; longe de mim estar a parte disso.
sábado, 25 de julho de 2009
Insônia - 2ª carta
Dormi por me cansar da monotonia que o dia me tivera trazido e tentei não pensar que esse mesmo dia se repetiria amanhã e depois e depois, com o mesmo garoto da frente me observando, com a mesma mulher loira despreocupada comigo, com o mesmo tudo.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
In.sô.nia - primeira carta
Eu tenho insônia. Estou escrevendo isso, aliás, pois agora, hora em que eu deveria, como toda pessoa normal, estar dormindo, estou aqui. Sabe o que é deitar e ouvir cada barulho? Os cães latem, vez ou outra um automóvel passa na rua, ouço a voz de uma mulher que grita com seu amante por um motivo que desconheço e o vizinho que está reclamando de seu dia cheio com o filho. Concentro-me mais um pouco e vejo as cenas do cotidiano mediocremente normal: as mesmas pessoas de sempre, a fadiga que tenho em olhá-las, a obrigatoriedade que tenho de lhes retribuir gracejos duvidosos ou de, por ventura, me incluir em seus diálogos. Logo me canso e volto-me a mim mesmo, só que dessa vez para pensar em nada ou em tudo ao redor. Penso em como seria se eu não fosse tão adepto ao Byronismo ou às ideologias de Nietchzs. Quão boa deveria ser a vida! Quão viva! Ao invés disso, me queixo de mim, dilacero cada esperança, me perco de Deus e dos deuses, penso como deve ser além da vida e se lá, ao menos eu poderia saber a verdade de tudo ou se porventura eu não teria mais memória de nada. Eu queria mesmo era me esquecer de mim para, enfim, esquecer de tudo.
domingo, 31 de maio de 2009
Melhores amigos (?)

Ataca, fere e ama
Ama, brinca e reclama
Reclama, magoa, se arrepende
Se arrepende, se desculpa, mas não perdoa.
Não perdoa, perde
Perde, procura, não acha
Não acha, chora, se lembra
Se lembra, perdoa, pede, ama
E ama, e brinca, e fere, e ataca e reclama.
Enfim, como isso se chama? [...]
Alguém achou por aí minha sanidade? Favor, devolver o quanto antes. (Só espero que não esteja no mesmo lugar onde puseram a descência de alguns...)